Algumas notas de um estudo etnografico da Alta Estremadura
A região etnografica da Alta Estremadura vai de Pombal até Peniche e de Ourém até ão mar, pois Pedro Homem de Melo batizou esta região por Alta Estremadura, os usos e costumes das suas gentes são variadissimos, vou começar pelas casas, casa de adobe e de taipa, paredes caiadas, cantarias de calcario, varandas alpendradas, ou pequenos alpendres a abrigar as entradas das portas, no telado telha de canudo de barro, chaminés largas, no interior era formado pela casa de fora(sala)cozinha, dois quartos, nas paredes da casa de fora avia invariavelmente o registo de santos, uma candeia de azeite,nalgumas o espelho,um relogio de parede(nem todas as casas o tinham), uma mesa, uma ou duas arcas cobertas por panos de chita, e com certa frequencia um oratòrio.
Na cozinha a lareira com o guarda fogo ou archete, à frente a chaminé numa trave de madeira e esta apoiada numa coluna de madeira ou de pedra(mourao), candeia na cheminé, banco corrido e baixo ao longo da cheminé ou pequenos banquitos para se sentarem au lume, panela de ferro assente em tres pés ou suspenssa numa corrente ao lume onde se cozinhava, messa e bancos de madeira, cantareira com lugar ajeitado para colocar os cantaros da agua, e com preteleiras para guardar a loiça, armario de rede onde guardavam as sardinhas salgadas, toucinho com sal ou chouriços, pão ou a broa.
Nos quartos , normalmente o das filhas, sempre sem janela, camas de madeira com roda pé rendado,colchão de palha ou de camisas de milho, mantas de retalhos e cobertores feitos de lã de ovelha a cobrir as camas, arcas para a roupa, registo de santos ou crusifixo nas paredes, candeia de azeite, lavatorios de bacia, balde e jarro para a agua, retretes no exterior da casa em pleno campo, barraco de madeira so para fazer as neçessidades maiores, muitas das vezes éra no patio dos animais.
Anexos as casas , o patio com os comodos onde se guardava os animais, onde avia a adega, o lagar, o forno para cozer o pão ou broa, o palheiro onde se guardava a palha para os animais.
È curioso anotar que os filhos rapazes a partir de uma certa idade passavam a dormir no palheiro em cima da palha cobertos por mantas retalheiras.
Como aconteçe em toda a região de Pombal até Peniche, hà uma sequencia de montes e vales e a proximidade do mar, que se faz sentir muito para alem do clima, dão ao povo Alto Estremenho caracteristicas muito marcantes, não é gente serrana, nem da planicie, sendo simultaniamente ambas as coisas, ao mesmo tempo é gente do litoral em que a faixa do mar penetra pelos ariais que se estendem até bem perto das serranias de Aire e Candeeiros.
Desconheçendo-se completamente as origens deste povo, sabe-se pois que hà influencias vindas de outros regiões do pais devido as emigrações no trabalho sezunal.
O modo de trajar nos finais de século XIX pricipios do de XX éra adaptado ao clima, ao trabalho, as diverssas funções de cada um, aos dias solenes, de festa, de domingar, de casamento, de romaria etc, etc e evidentemente com as posses de cada um, gente pobre ou até remediada andavam descalços, as mulheres com canos de lã( meia sem pé), e saias alteadas nas tarefas do campo ou caseiras e nas longas caminhadas a pé, o lénço que tinha preçeito de se colocar no trabalho, na festa, nos dias de ver a deus e no desgosto, o chapelinho janota e de prato, nos momentos mais solenes, como agasalho uma saia de cobrir oas costas, na mulher mais abastada todo o luxo estava no ouro de trazer ao peito, ouro quantas as vezes adquirido com economias que se tiravam à boca, usavam capas e xailes e tecidos mais caros.
O homem vestia jaleco e calça à boca de sino, o barrete que as vezes servia de aljibeira, com borla pendente pelas costas ou de lado, ou usava chapéu de aba larga de 12 cm, quando se calçava para os dias de ver a deus ou romarias, calçava botas de cabedal com tação de prateleira, a cinta enrulada à cintura, no trabalho para o proteger dos esforços nos dias de festa para o enfeitar, para quaquer lado que o homem se diriguia era acompanhado do vara-pau ou chapéu de 12 varetas, o vara-pau muitas das vezes éra utilizado no tão popular jogo do pau, que muitas vezes atè fazia vitimas.
Nos dias de festa, homens, e mulheres bailavam muito o fandango, as modas a dois passos, os viras, os bailaricos, os fadinhos e tantas outras, tudo sem batimentos bruscos e sem levantar demasiado o pé nem cruzar as pernas, cantava-se todo o ano, modas proprias de cada estação , quadras dedicadas aos trabalhos, ao amor e tudo saia espontanio da boca do povo, na quaresma, deixava-se para o lado as cantigas breijeiras, os bailharicos que éram substituidas por canticos profanos, homens e rapazes corriam as noites as aldeias a cantar pras almas santas,
as flautas, as violas, os armonios, a gaita de beiços é que faziam animar as eiras, as casas de fora, os adros das igrejas, os terreiros, tudo bailava até altas horas da madrugada ou até ao sol por, as filhas sempre acompanhadas pelas mães so bailavam se a mãe consentisse.
Comia-se a carne do porquito, as vezes uma sardinha éra dividida por 3/4 pessoas , nos dias mais solenes matava-se um coelho ou uma galinha, as mulheres que andavam de regimento davase-lhes caldos ou sopas de galinha.
Pela Pascoa reçebia-se o padre , na casa de fora que benzia a casa e o recheio e familia, no dia de todos os Santos a criãnçada andava de porta em porta a pedir o bolinho dizendo " ò tia dà o bolinho em louvor dos seus santinhos" e de dentro da casa respondiam , "dou" , entao nesse dia éra dado as criãnças bolos que tinham sido cozidos no dia anterior no forno, castanhas, nozes ou tremoços e là ia a criãnçada toda contente percorrer todas as casas da aldeia.
O povo desta região éra muito romeiro e crente, pois faziam proméssas à Senhora da Nazaré, ao Sr Jesus dos milagres e a varios outos Santos que se festejam na região pois saiam de casa logo pela manhã cedo com o merendeiro à cabeça, as vezes iam no carro do burrito, ai assistiam à missa e pagavam as suas promessas, as vezes ofertando uma fogassa , ou dinheiro, depois de pagarem as suas promessas em cada canto avia lugar para o baillarito(como os nossos antepassados diziam), os rapazes deitavam no olho as moças e pediam as suas mães para as acompanhar até a casa , ai se formava mais um namoro que depois dava em casorio.
Nos dias de domingo e nas festas e romarias o povo aranjava sempre divertimentos, como o jogo da malha, a paulada ao ovo , a corrida de frangos e tantas outras, qualquer coisa servia para fuliar e reinar, no dia de são Martinho ia-se à adega e provava-se o vinho e comia-se castanhas assadas, na noite de natal comia-se couves com bacalhau e iam todos à missa da meia noite missa do galo.
Aqui deixo um pequeno apontamento de alguns usos e costumes do povo Alto Estremenho pois muito ficou por escrever mas este topico esta-se a tornar longo de mais .
Um abraço para todos
Silvino Ferreira
31/10/2011 @ 22:22:38
por Carlos Cardoso
Ola eu sou gaston de argentina ...
10/06/2011 @ 14:08:36
por gaston
os noivos sao espectaculares adoro beijinhos
21/05/2008 @ 13:27:16
por sofia
oi sou e o me namorado ...
21/05/2008 @ 13:24:26
por sofia